sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Círculo Vicioso



Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
-”Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:


-”Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:


-”Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!”
Mas o sol, inclinando a rútila capela:


-”Pesa-me esta brilhante auréola de nume
Enfara-me esta azul e desmedida umbela
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?”

Machado de Assis

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